Hoje eu preciso desabafar.
Tenho escrito tudo certinho — com base científica, com estudos, com orientações práticas — mas percebo que isso não dá retorno.
Não porque o conteúdo não ajuda, mas porque muitas pessoas simplesmente não querem ouvir.
Principalmente quem mais precisa.
Nos meus atendimentos, já vi de tudo.
Uma mãe reclamava que o filho não queria comer. Ele tinha dificuldade de fala, de sono, de atenção e de aprendizagem.
Quando perguntei quantas mamadeiras ele tomava por dia, ela respondeu:
— “Doze.”
Outra mãe levou o filho de 9 anos para uma avaliação multidisciplinar.
Ao sair, foi com ele até a farmácia e disse que ele poderia escolher qualquer chupeta.
Ele respondeu que não queria, mas ela insistiu:
— “Quer sim, eu sei que quer.”
No fim, ele escolheu uma e voltou a chupar chupeta, por insistência dela.
Outra mãe deixava o filho pequeno sozinho em casa enquanto fazia os trabalhos domésticos.
Um dia, descobriu que ele ia para o quintal e mamava na cadela da casa.
Essas histórias chocam.
Mas o que elas têm em comum?
Todas essas mães são boas pessoas.
Mães como eu e você — cansadas, cheias de amor, mas também de cegueiras emocionais.
São mães que querem acertar, mas não percebem que estão alimentando os próprios erros.
A verdade que ninguém quer ouvir
A maioria dos problemas de comportamento, atenção, sono e alimentação das crianças não nasce de algo complexo — mas de pequenas distorções diárias.
De mamadeiras em excesso.
De inseguranças espelhadas.
De uma dificuldade em crescer junto com o filho, um passo de cada vez.
E o mais doloroso é que, enquanto culpamos o sistema, os professores ou a genética, deixamos de fazer as pequenas mudanças que realmente transformam.
O verdadeiro olhar que precisamos ter
Não precisamos ser perfeitas.
Mas precisamos olhar com honestidade para o que estamos fazendo.
Porque muitas vezes o amor não falta — o que falta é consciência.
E é por isso que nasce o Mães Más:
não como um espaço de julgamento, mas como um chamado à lucidez.
Um lugar para quem tem coragem de se olhar no espelho e dizer:
“Sim, eu erro. Mas quero fazer diferente.”
Podemos construir uma sociedade mais inteligente, empática e saudável.
E isso começa com mães reais, que se permitem sentir desconforto, refletir e crescer.
Um passo de cada vez.
Com verdade.
Com amor.


