Autismo – uma nova epidemia?

Por que os diagnósticos aumentaram e o que está por trás desses números

Nos últimos anos, o número de diagnósticos de autismo cresceu de forma significativa em todo o mundo. Esse aumento tem levantado uma questão importante: afinal, estamos diante de uma epidemia de autismo?

Segundo Temple Grandin, no livro O Cérebro Autista – Pensando Através do Espectro, a resposta é não. O que acontece não é uma explosão de casos, mas sim uma mudança no olhar e na forma como os profissionais da saúde e da educação entendem o espectro autista.


Por que aumentaram os diagnósticos de autismo?

  • Mudança nas classificações:
    Durante muito tempo, crianças que hoje receberiam um diagnóstico de autismo eram classificadas como tímidas, portadoras de mutismo seletivo ou mesmo como casos de transtorno desafiador de oposição (TOD).
  • Redução de outros diagnósticos:
    No Reino Unido, por exemplo, muitas crianças que antes eram diagnosticadas com deficiência intelectual passaram a ser reconhecidas dentro do espectro autista.
  • Maior reconhecimento dos sintomas:
    Quando uma criança convive com colegas autistas, professores e familiares passam a reconhecer sinais que antes poderiam ser ignorados. Esse contato amplia a percepção e aumenta a precisão dos diagnósticos.

O que Temple Grandin aponta sobre esse fenômeno

Para Temple Grandin, o aumento dos números está diretamente ligado à melhor compreensão do espectro. Não existe uma epidemia, mas sim diagnósticos mais detalhados, abrangentes e corretos.


Por que essa mudança importa?

Esse crescimento tem dois lados. De um lado, mais crianças recebem apoio e acompanhamento adequados, o que favorece sua inclusão e desenvolvimento. Por outro, é preciso ter cautela para não confundir o autismo com outras condições, como o TOD ou dificuldades emocionais, evitando diagnósticos precipitados.


O autismo não é uma epidemia. É o reflexo de uma sociedade que passou a entender melhor as diferenças neurológicas e a valorizar diagnósticos mais precisos. Quanto mais informação e clareza houver, maiores serão as chances de construir caminhos de inclusão e apoio para cada criança.

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